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Homenagem A Nossa Querida Yamoro. Matéria Publicada Na Folha De São Paulo De 22/outubro/2018

Homenagem a nossa querida Yamoro. Matéria publicada na Folha de São Paulo de 22/outubro/2018

“Mortes: Sacerdotiza, viveu para o Candomblé e os filhos.

Texto de Thaiza Pauluse

Com uma vida marcada por perdas, tinha como motivação a ajuda ao próximo.

A vida de Maria Antunes foi marcada por perdas. Nascida em Americana, no interior de paulista, foi abandonada pelos pais num orfanato de freiras, onde cresceu. Depois, passou a morar em casas de família, onde trabalhava.

Nessa época, a mãe de santo Sílvia, do terreiro Axé Ilê Obá, no Jabaquara, zona sul da capital paulista, precisou de uma cuidadora e quem assumiu o posto foi Maria. Logo ela começou a tocar a parte administrativa e financeira –aprendeu tudo na prática–, enquanto mãe Sílvia assumia a ritualística do terreiro, que é o primeiro tombado como patrimônio histórico do estado. Também virou Maria Antunes de Nanã –orixá da sabedoria.

Seu posto religioso passou a ser o de iyamorô, um dos braços da mãe de santo, que ajuda na organização do sistema. Sua função principal era de cuidar dos orixás em qualquer culto que fosse para Exú –o mensageiro, aquele que abre caminhos.

As duas acabaram virando amigas e viveram ao lado uma da outra, como irmãs, por 40 anos. Juntas, adotaram três filhos. Era o sonho de Maria poder dar o cuidado que não teve. Levava para a natação, judô, balé, inglês.

Vivia para eles e para o local sagrado. “Ela fazia a ritualística com todo o amor e comprometimento”, diz mãe Paula, uma de suas filhas. “Era uma mulher super amável e de uma inteligência absurda.”

Em 2014, com a morte de Sílvia, ela se sentiu sozinha. Não imaginava que depois outra filha a abandonaria também. Se apegou a Paula.

Até para a balada na Vila Madalena ia junto, já octogenária. Não dispensava a cerveja gelada, o torresmo, a linguiça frita. Em Salvador, conheceu todos os terreiros tradicionais. Animada, era a primeira a dizer: “Já tô pronta”. E ia.

No candomblé, a morte não é o fim. É uma parte nossa, que continua. São os ancestrais, fortalecidos em rituais, que emanam luz para a terra. Agora, é o que Maria também fará. Ela morreu no dia 7 de outubro, por insuficiência aguda respiratória, aos 82 anos. Deixou três filhos e uma neta.”

A matéria original pode ser linda no site da Folha. Obrigada!

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